10ª Edição | 14 a 18 de Out. 2020 | Marina da Glória & ArtRio Online
10ª Edição | 14 a 18 de Out. 2020

Conversamos com Vitória Cribb, selecionada para MIRA 2020

27/08/2020 - Por ArtRio

Com a aproximação de uma nova chamada, a ArtRio conversou com Vitória Cribb, 23 anos, artista e designer, filha de pai haitiano e mãe brasileira, criada em Campo Grande, e a primeira selecionada para integrar o programa de videoarte da feira desse ano.

Ao final de junho, a ArtRio lançou sua terceira edição da mostra MIRA no Instagram, evento de participação aberta que recebeu mais de 50 envios em apenas um final de semana. Cada um dos vídeos foi compartilhado na página da rede social do próprio autor marcando @artrio_art, que por sua vez o compartilhava nos stories de sua página.

À frente do MIRA desde 2019, Victor Gorgulho aposta esse ano, como parte de seu programa curatorial, na integração da chamada virtual com o evento físico. Uma das formas como amarra essa junção é com a seleção de um dos trabalhos do evento no Instagram para integrar o programa de videoarte da Feira, que chega a sua quarta edição esse ano. A primeira selecionada, Vitória Cribb, conversou coma gente sobre seu vídeo @ ilusão:

 


ArtRio: Você se define como uma designer de novas mídias e artista interdisciplinar que explora a convergência entre a imaterialidade das novas mídias com as mídias físicas e táteis. O que exatamente é essa interseção?

Vitória Cribb: Acredito que a intersecção esteja presente na técnica utilizada nas minhas duas frentes de atuação profissionais. A primeira, como designer, onde eu, atualmente, crio e desenvolvo projetos diversos dentro da tridimensionalidade digital e a segunda como artista onde a materialidade tridimensional e digital também está presente nas minhas criações de forma primária ou secundária.

A proposta deste ano do curador do programa MIRA, Victor Gorgulho, que selecionou o seu trabalho, vai no sentido de pensar os futuros possíveis a partir das relações que se estabelecem e colocam tão em evidência dois planos tão parecidos e tão diferentes, a janela e a tela. No caso da tela, como o próprio nome windows não nos deixa esquecer, ela é um modelo virtual das janelas que todos conhecemos. 

O vídeo enviado para a chamada, @ ilusão, foi desenvolvido durante a Web residência do espaço OLHÃO e exibido no Instagram, encarnando bem a posição “novas mídias” ou “tela”. Como o tátil e o material estão incorporados no trabalho?

No trabalho @ ilusão em específico eu acho que a incorporação perpassa a questão tátil e se instaura entre a relação digital e emocional/sentimental/espiritual presente. O vídeo foi desenvolvido de forma inteiramente digital, em uma residência online em um contexto pandêmico, de crise social/política/econômica e com evidenciamento da grave questão racial que toda a América enfrenta. A minha residência aconteceu durante a semana onde a onda de protestos por conta da violência policial contra corpos negros nos Estados Unidos tomou uma enorme proporção e não pude não me afetar por isso, direta e indiretamente. A minha proposta inicial para a residência já era trabalhar com a repetição presente nas redes sociais e o esvaziamento imagético ao qual somos condicionados virtualmente. Nesse momento decidi reunir esse anseio em retratar o loop da dinâmica presente na nossa atual sociabilização virtual com a experiência violenta e repetitiva designada aos corpos negros. Esse trabalho é um encontro de vivências que tange planos de sociabilização virtual e presencial, construído onde nós, antes ou durante a pandemia, nos conectamos cada vez mais.

Sua pesquisa parece dizer muito sobre as potências (ou mesmo as virtualidades) do digital, inclusive para trazer uma perspectiva de futuro ou encarnar uma realidade alternativa com novas possibilidades. Você concorda?

Concordo com a potencialidade digital mas na verdade eu não enxergo o meu trabalho com uma perspectiva totalmente futurista e alternativa. Eu verso sobre questões presentes, pessoais e que permeiam o meu subconsciente. Abordo questões tecnológicas em paralelo a minha existência em um mundo onde tecnologias de informação são amplamente utilizadas e absorvidas pela sociedade à todo momento, seja para trabalhar, se relacionar intimamente ou se divertir.

Isso é uma marca recente, desenvolvida na quarentena, ou é uma questão anterior da sua produção?

Essas reflexões já estiveram presentes em trabalhos anteriores à pandemia como na obra Prompt de Comando produzido em março de 2019, por exemplo. Lá eu já havia abordado e refletido conceitualmente em cima da questão ser humano x máquina a partir da minhas vivências enquanto mulher negra, assim como trabalhos mais antigos. Porém o momento epidêmico que se instaurou me motivou a buscar os limites e as relações presentes entre o plano social presente e virtual. Acredito também que como o meu núcleo de criação se dá no digital essas questões sempre estiveram intrínsecas na minha produção visual e crítica.

 


Sobre a artista

Vitória Cribb (n. 1996, Brasil) filha de pai haitiano e mãe brasileira criada em Campo Grande – Rio de Janeiro, Brasil. Designer de novas mídias e artista interdisciplinar que explora a convergência entre a imaterialidade das novas mídias com as mídias físicas e táteis. A artista busca trazer a multidisciplinaridade em suas séries artísticas investigando o comportamento das novas tecnologias  visuais e seus desdobramentos.

A artista participa da Residência Online Possíveis Futuros com curadoria de Gabriela Maciel e Yasmine Ostendorf no espaço Largo das Artes, Rio de Janeiro Brasil; da Web Residência do espaço OLHÃO com curadoria de Cleo Döbberthin, São Paulo, Brasil. Vitória já teve o seu trabalho exposto na ZAZ10ts Gallery – Times square – NY; Epicentre e WDWDN na The Wrong Biennale (2019); No ATO “Começo de Século” Galeria Jaqueline Martins – São Paulo, Brasil (2019); Festival Arte Core (2019); Na exposição “Formas” no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, Rio de Janeiro (2019); Eneagrama Festival de CIne Experimental – Córdoba, Argentina (2019); na instalação ‘FastLine’ no ArtNight Festival London (2019); no programa Lives of Net Art – Face Up Tate Exchange do Tate Modern Museum, Londres (2019); Valongo Festival Internacional da Imagem – Santos, Brasil (2018).


Na imagem: still do vídeo @ ilusão, cortesia da artista | Entrevista por Júlia Paes Leme em agosto, 2020.

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