ArtRio 16a. edição | 16 a 20 de SETEMBRO de 2026 | MARINA DA GLÓRIA ArtRio 16a. edição | 16 a 20 de SETEMBRO de 2026 | MARINA DA GLÓRIA

Obra monumental de Anna Bella Geiger ocupa o Parque Bondinho Pão de Açúcar

02/01/2026 - Por ArtRio

No dia 14 de janeiro de 2026, o Projeto Maravilha apresenta a sua segunda edição com a
inauguração de “Typus Terra Incognita (2025)”, escultura de grande formato de Anna Bella Geiger, uma das mais decisivas e relevantes da arte brasileira contemporânea. Aos 92 anos, com sete décadas de carreira, a pioneira da videoarte no Brasil assina a nova intervenção no Bosque das Artes, no Parque Bondinho Pão de Açúcar.

Com curadoria de Ulisses Carrilho, o Projeto Maravilha propõe um diálogo entre arte, natureza e tecnologia, comissionando expoentes da arte brasileira para criarem obras de grande escala em contexto de preservação ambiental.

A artista conta que o convite do projeto a levou diretamente à forma da gaveta: “Lá em
cima, naquele lugar, tinha de acontecer uma coisa sólida, com um certo sentido de permanência.
Então pensei: vai ser uma gaveta. Eu precisava pôr essa situação geográfica num contêiner. A
gaveta abriga e revela, mas nunca contém tudo. Nenhuma imagem dá conta do mundo”, reflete
Anna Bella.

“A partir de um objeto cotidiano, como a gaveta, temos a oportunidade de pensarmos criticamente a questão da memória, da História que se pretende oficial. O arquivo, assim como o mapa, é um dispositivo de poder, um objeto cheio de carga simbólica, o que dá mais corpo e urgência à proposta que recebemos da artista para esse comissionamento”, pontua Ulisses.

“Typus Terra Incognita” nasce de um dos eixos decisivos da pesquisa de Geiger: a série “Fronteiriços”, iniciada quando a artista começou a guardar seus mapas em cobre — dobraduras e estudos geopolíticos produzidos desde meados dos anos 1970 — em gavetas de arquivo. Ao trazer a gaveta para o Pão de Açúcar, ela monumentaliza um gesto que, na origem, era quase doméstico e artesanal.

A escultura se organiza em três nichos concebidos como compartimentos de um mesmo pensamento. Na parte superior, um mapa-múndi vazado em aço corten ocupa o centro da estrutura, remetendo diretamente à série “Fronteiriços”. Por meio desse recorte, a paisagem do Rio de Janeiro — a Baía de Guanabara, o mar e as montanhas — surge enquadrada pelo mapa, como se o território real se projetasse dentro da cartografia imaginada pela artista.

Nos dois nichos inferiores, o diálogo se dá entre linguagens e tempos distintos. De um lado, as duas gravuras da série “Arte y Naturaleza” (Local da ação, 1500–2006 [2006], que remete à pesquisa iniciada nos anos 1970 sobre o território brasileiro e os modos de nomear a terra; e Na outra margem del río Amazonas [1974], fotoserigrafia que alude ao sistema amazônico e às urgências do debate climático). Do outro lado, um frame do filme Passagens 2 (1974), no qual a artista entra e sai lateralmente do quadro, deslocando o corpo no espaço gráfico da imagem. Juntas, essas camadas de matéria e imagem constroem uma espécie de atlas escultórico, em que os gestos de arquivar e de atravessar o mundo se sobrepõem.

A obra incorpora, ainda, quatro anjos barrocos — como os que apareciam em antigos mapas, soprando os ventos — posicionados nas extremidades da peça, indicando os pontos cardeais e evocando o imaginário das navegações e das viagens sem mapa.

O Bosque das Artes | Parque Bondinho Pão de Açúcar fica na Av. Pasteur, 520 – Urca, Rio de Janeiro. Ingressos para o Parque Bondinho: R$ 155 (brasileiros), R$ 85 (cariocas) e R$ 199 (estrangeiros). Saiba mais em www.parquebondinho.com.br.

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