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Museu de Imagens do Inconsciente apresenta “Riquezas do mundo interno – coleções e leituras”

09/01/2026 - Por ArtRio

O Museu de Imagens do Inconsciente apresenta a exposição “Riquezas do mundo interno – coleções e leituras”, que reúne mais de 60 obras produzidas por pacientes psiquiátricos, oriundas de quatro museus: o próprio MII, o Museu Arthur Bispo do Rosário – ambos no Rio de Janeiro –, o Museu de Arte Osório Cesar, em Franco da Rocha, São Paulo, e o Museu da Oficina de Criatividade, em Porto Alegre. A curadoria é de Luiz Carlos Mello, diretor do Museu de Imagens do Inconsciente, criado pela Dra. Nise da Silveira (1905-1999) em 1952.

O ponto de partida para a mostra – que será de longa duração, e estará no edifício-sede do MII – foi o livro “Do asilo ao museu – Nise da Silveira e as coleções da loucura” (2024, Hólos Consultoria), de Eurípedes Gomes Cruz Jr., músico e museólogo que trabalhou por 25 anos junto com a Dra. Nise, em que analisa a formação, ao longo do último século, das coleções criadas em vários países com as obras produzidas por pacientes psiquiátricos.

Esta é a primeira vez que o Museu de Imagens do Inconsciente apresenta obras de outros museus, e haverá ainda um segmento com reproduçõesem papel de algodão fine-art, em tamanhos variados, de coleções similares localizadas na Europa, como a Coleção Prinzhorn, na Alemanha, Arte Bruta, em Lausanne, Suíça), Coleção Adamson, na Wellcome Library, em Londres.

As obras – pinturas e esculturas – não estarão dispostas em ordem cronológica, mas agrupadas em aproximações poéticas. A exposição “Riquezas do mundo interno – coleções e leituras” faz parte das comemorações dos 50 anos da Sociedade Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente.

FANTASIA E IMAGINAÇÃO
“As mais de 60 obras expostas revelam riqueza artística e densidade simbólica, trazendo universos onde a fantasia e a imaginação alcançam dimensões inusitadas. As riquezas trazidas à superfície por pessoas que experimentaram semelhantes mergulhos estão representadas na exposição. O público será impactado pelas imagens”, afirma Luiz Carlos de Mello.

Criado em 1952 pela Dra. Nise da Silveira para ser um centro de estudos e pesquisas sobre a psique humana, o Museu de Imagens do Inconsciente tornou-se a maior coleção do mundo no gênero, reunindo 400 mil obras produzidas em seus ateliês terapêuticos, desenhos, pinturas e modelagens realizadas por pessoas que experienciaram vivências psíquicas profundas.Deste total, 128 mil obras são tombadas pelo IPHAN.

Eurípedes Gomes Cruz Jr. assinala que “em meados do século 19, alguns psiquiatras começaram a se interessar pelas produções plásticas espontâneas dos internados em hospitais psiquiátricos”. “Começaram a colecionar essas obras, numa tentativa de conhecer mais sobre a patologia dos transtornos mentais de seus pacientes. A qualidade dessas produções, sua originalidade e liberdade em relação aos aspectos canônicos da arte atraíram a atenção de artistas e críticos, influenciando os movimentos artísticos do início do século 20, que encontraram nessas obras ecos
de seus anseios em relação às transformações do fazer artístico”.

“Hoje”, continua o pesquisador, “diversas coleções e museus possuem obras desse tipo em seus acervos, cujas exposições atraem cada vez mais público, interessados em uma vertente da arte que se origina à margem do campo formal, irmanando-se com a produção de outros criadores que estão em situação similar: eremitas, médiuns, refratários sociais de toda espécie, pessoas portadoras de alguma deficiência”. “Arte bruta, arte virgem, arte singular, arte fora-das-normas, ousider art – multiplicam-se as tentativas de nominar esse tipo de produção, insuficientes em abarcar o rico conteúdo e a diversidade da produção desses seres, demiurgos de universos múltiplos”, afirma Eurípedes Gomes Cruz Jr.

“No Brasil, as pesquisas conduzidas pela Dra. Nise da Silveira, que deram origem a publicações, exposições, documentários, mostram o desvelar de importantes aspectos do mundo interno comum a todos os seres humanos, levando a experiência psíquica para um patamar além da psiquiatria, trazendo-a para o campo dos ‘inumeráveis estados do ser’, expressão cunhada pelo escritor e teatrólogo Antonin Artaud (1896- 1948), ele mesmo protagonista de um mergulho profundo no inconsciente”, destaca.

O Museu de Imagens do Inconsciente fica na Rua Ramiro Magalhães, 521, Engenho de Dentro, Rio de Janeiro. Funcionamento: de terça a sábado: 10h às 16h. Entrada gratuita.

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