A Nara Roesler São Paulo apresenta a exposição “Antes da forma, o encanto”, de Mônica Ventura (vencedora do Prêmio FOCO ArtRio 2023), a primeira individual da artista na galeria, que apresentará 24 obras inéditas, produzidas este ano, entre pinturas, esculturas, instalações e vídeo, com curadoria de Catarina Duncan.
“Na obra de Mônica Ventura, acessamos uma série de práticas que aproximam objetos e processos rituais de diversas origens através da arte. Não como ilustração histórica, mas como prática, tecnologia simbólica, operação de transformação, matéria animada”, comenta a curadora. “Esculturas, pinturas, instalações surgem como corpos recipientes de energia, dispositivos de troca entre visível e invisível”, explica.
Carolina Duncan observa que “a cabaça atravessa a exposição como eixo formal e ancestral”. “Para a artista, e a partir de muitas cosmovisões afro-indígenas, o fruto da Lagenaria siceraria, também conhecido como cuia, igbá ou poronga, é a forma matricial do mundo. Pensando a cabaça como vaso ritual e corpo ancestral, seu desenho curvilíneo, simultaneamente ventre, recipiente e semente, desdobra-se em múltiplas linguagens. A cabaça aparece em ouro, em aço corten, em madeira carbonizada, em cerâmica e em sua forma natural, tornando-se monumento: um corpo múltiplo”, destaca.
As obras criadas a partir da cabaça são: “Paisagem para um sol negro (série A grande dama)”, em aço corten, cabaça, latão, com 190 x 100 cm, e “Caminho de ouroboros”, com cabaças naturais e folha de ouro; o conjunto de cinco esculturas “Excorpóreo” (# 01, 02, 03, 04 e 05), em madeira carbonizada e folha de ouro, dimensões variadas, em forma de cabaça, e as três esculturas “A guarda do tempo”,
em latão, com 29 x 20 cm cada uma.
LABORATÓRIO, ABRIGO E ALTAR
“A exposição pensa identidades como rede em movimento contínuo, tornando o espaço expositivo em um laboratório, abrigo e altar. Da alquimia e da espagíria à construção de altares; dos modos de erguer paredes de terra às geometrias devocionais; das oferendas votivas às arquiteturas simbólicas que atravessam o hinduísmo e o Candomblé. Essências, circulação, retornos: tudo gira como roda.
Nesse circuito, acessamos princípios dinâmicos como passagens, trocas e recomeços”, afirma a curadora.
“A artista atua como pesquisadora: investiga materiais, cosmologias, técnicas construtivas, liturgias, plantas, óleos essenciais, metais, pigmentos e modos de fazer que atravessam tempos e geografias”, salienta, e conclui: “Se o fetiche colonial procurou aprisionar o objeto em uma leitura fixa, Mônica Ventura devolve à forma sua instabilidade original. Cada obra é um feitiço que age, transforma e devolve movimento ao mundo”.
“Antes da forma, o encanto” apresenta também o vídeo “Excorpóreo – Renascimento através da chama”, 6’52”, as pinturas da série “Alteia” – “VIII”, “X” e “XI” –, em tinta óleo sobre tela, com 198 cm de altura e comprimento em torno de 200cm; a instalação “7 infusões”, em terra, sisal, vidro e latão; os conjuntos de esculturas “Pássaras” e “Passarinhas”, em porcelana, latão, madeira e folha de
ouro; o conjunto de seis esculturas em terra, pigmento e latão “A noite suspensa”; e conjuntos de pequenas esculturas em terra, pigmento e latão, da série “Arrebóis”: “Corpo-oráculo” “# 01”, “#02”, “#03”, “#04” e “#05 ”.