O Galpão Bela Maré abre suas portas para a exposição “Da paisagem à intimidade”, que celebra duas importantes conquistas: o marco de duas décadas do Programa Imagens do Povo e a reinauguração das ações expositivas do espaço, após sua reforma. A mostra reúne imagens de artistas e fotógrafos que, ao longo dos últimos 20 anos, participaram da Escola de Fotografia Popular — um projeto que tem sido fundamental na formação de novos olhares sobre espaços populares, através das lentes das próprias comunidades.
Com uma rica diversidade de narrativas visuais, “Da paisagem à intimidade” revela as ruas, vielas, festas populares e saberes tradicionais, capturados pela perspectiva única de moradores das favelas, e é um reflexo de suas histórias, lutas e afetos. As imagens expostas são testemunhos vivos de transformações, conquistas e memórias que permeiam o cotidiano desses territórios, construindo uma trajetória coletiva de resistência e afirmação da identidade.
A exposição propõe uma reflexão sobre o poder da fotografia como um instrumento de resistência e memória. Mais do que um simples registro visual, a fotografia popular tem o poder de contar histórias de comunidades que, muitas vezes, são invisibilizadas, mas que, por meio dessas imagens, conquistam o espaço de protagonismo que merecem. A paisagem que as fotos revelam vai além do espaço físico — é, sobretudo, uma paisagem de relações, onde o individual e o coletivo se entrelaçam e se fortalecem.
“A exposição é uma celebração de um legado fotográfico fundamental para a história das periferias brasileiras. Ela traz à tona a potência da fotografia como ferramenta de resistência e afirmação de identidade. A curadoria, ao revisitar 20 anos de produção imagética, propõe uma pequena, mas impactante, amostra de como a fotografia pode transformar, testemunhar e celebrar a vida das comunidades populares”, afirma Monara Barreto, curadora da exposição e gestora do acervo digital do Programa Imagens do Povo.
Erika Tambke, coordenadora do programa, também assina a curadoria e afirma: “O Imagens do Povo é um programa que nasce em 2004 a partir de um desejo coletivo de promover histórias de espaços populares pela fotografia. E isso veio de uma necessidade de que os próprios moradores possam apresentar o seu ponto de vista na cidade. Vinte anos depois, vemos com alegria um movimento de fotografia popular na Maré que produz e pensa a memória da cidade e de seus moradores com muitas camadas”.
A exposição estará em cartaz no Galpão Bela Maré até fevereiro de 2025. O projeto expográfico é assinado por Renata Pittigliani e a cenotecnica é da Camuflagem, com produção da Automatica. A mostra também conta com visitas mediadas, que acontecem às terças e quintas às 13h30. A partir da perspectiva curatorial, a equipe do programa educativo propõe uma aproximação com as obras por meio de um percurso de trocas de narrativas. As visitas individuais ou em grupo podem ser agendadas pelo e-mail: educativo.belamare@observatóriodefavelas.org.br
Sobre o Observatório de Favelas
O Observatório de Favelas, criado em 2001, é uma organização da sociedade civil sediada no Conjunto de Favelas da Maré, com atuação nacional. Dedica-se à produção de conhecimento e metodologias visando incidir em políticas públicas sobre as favelas e promover o direito à cidade. Fundado por pesquisadores e profissionais oriundos de espaços populares, tem como missão construir experiências que contribuam para a superação das desigualdades e o fortalecimento da democracia a partir da afirmação das favelas e periferias como territórios de potências e direitos. Atualmente, desenvolve programas e projetos em cinco áreas: Arte e Território, Comunicação, Direito à Vida e Segurança Pública, Educação e Políticas Urbanas.
O Galpão Bela Maré fica na Rua Bitencourt Sampaio – Maré. Entrada gratuita.