ArtRio | 13 a 17 de setembro de 2023 ArtRio | 13 a 17 de setembro de 2023

Em 2023, MASP apresenta exposição de Gauguin e dedica sua programação às histórias indígenas

16/01/2023 - Por ArtRio

Ao longo do ano de 2023 o MASP apresentará uma série de atividades — exposições, cursos, palestras, oficinas e publicações — com a proposta de abordar e debater a complexidade de materiais, culturas, filosofias e cosmologias indígenas, além de discutir suas representações na arte e o silêncio da história oficial em relação à produção artística indígena ao redor do mundo.

Dentre a programação, estão previstas exposições de Carmézia Emiliano, Movimento dos Artistas Huni Kuin (MAHKU), Paul Gauguin – que pretende problematizar a exotização do “outro” – , Sheroanawe Hakihiiwe, Melissa Cody, além do comodato MASP Landmann de cerâmicas e metais pré-colombianos e a grande coletiva ‘Histórias Indígenas’

O programa do ano dá sequência às exposições dedicadas às Histórias no MASP, que acontecem desde 2016 e incluem Histórias da infância (2016), Histórias da sexualidade (2017), Histórias afro-atlânticas (2018), Histórias das mulheres, histórias feministas (2019), Histórias da dança (2020) e Histórias brasileiras (2021-22). A partir deste conceito, a série de 2023 propõe novas narrativas visuais, mais inclusivas, diversas e plurais sobre as histórias indígenas, trazendo uma diversidade de vozes, não somente na inserção no corpo de artistas e de obras nas exposições, como também em sua estrutura curatorial.

Acervo em transformação

Durante todo o ano de 2023
2o andar

A mostra de longa duração do MASP reúne obras pertencentes ao acervo do museu expostas nos icônicos cavaletes de cristal concebidos pela arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (1914-1992). Com o intuito de propor novas leituras e abordagens, são realizadas constantes atualizações dos trabalhos ao longo do ano, apresentando as diversas facetas da coleção.

Carmézia Emiliano: árvore da vida

24/3—11/6/2023
1o subsolo
Curadoria: Amanda Carneiro, curadora assistente, MASP

Carmézia Emiliano (Maloca do Japó, Normandia, Roraima, 1960) é uma artista de origem Macuxi. Na década de 1990, mudou-se para Boa Vista, quando também começou a pintar. Suas telas figuram paisagens, objetos da cultura material e o cotidiano de sua comunidade: “Minha arte é um serviço que presto à cultura do meu povo, essa é a maior de todas as felicidades”, conta a artista. Oriunda da região fronteiriça com a Venezuela e a Guiana, perto do monte Roraima, a artista reflete, com sua obra, a profusão de detalhes espelhados, intrincados e interconectados de sua observação da natureza e da vida em comunidade.

O MASP possui em seu acervo quatro obras de Emiliano, todas comissionadas diretamente à artista no contexto de diferentes projetos desde 2019. Neste sentido, a mostra celebra a relação que o museu estabelece com a sua produção e apresenta os trabalhos mais recentes da artista, parte deles nunca antes visto pelo público. Tanto a exposição como o catálogo que a acompanha pretendem ampliar a compreensão da contribuição de sua obra no cenário artístico nacional.

O projeto se insere numa sequência de exposições que o MASP vem realizando nos últimos anos em torno de artistas autodidatas que trabalharam fora do circuito da arte contemporânea tradicional e da academia, como Agostinho Batista de Freitas (1927-1997), Maria Auxiliadora (1935-1974), Conceição dos Bugres (1914-1984) e Madalena Santos Reinbolt (1919-1977).

Carmézia Emiliano, Parixara, 2020. Foto: Eduardo Ortega

MAHKU: mirações

24/3—11/6/2023
2o subsolo
Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Guilherme Giufrida, curador assistente, MASP; Ibã Huni Kuin, curador convidado

A exposição MAHKU: mirações marca os dez anos do coletivo MAHKU, Movimento dos Artistas Huni Kuin. Criado oficialmente em 2013, o grupo iniciou seus trabalhos de tradução de cantos tradicionais do povo Huni Kuin em desenhos figurativos em cursos de Licenciatura Indígena na Universidade Federal do Acre (UFAC). As pinturas realizadas pelo grupo originam-se tanto de traduções e registros de cantos, mitos e histórias de sua ancestralidade como de experiências visuais geradas pelos rituais de nixi pae, que envolve a ingestão de ayahuasca, denominadas mirações – que dá título à exposição no MASP.

A mostra do MASP também celebra a longa relação de trabalho entre o coletivo e o museu. Desde 2016, os artistas do MAHKU participam de exposições do MASP, o que é constatado na grande quantidade de obras de diferentes períodos de sua produção comissionadas e depois doadas ao acervo do museu. Os artistas já participaram das exposições Avenida Paulista (2017), Histórias da dança (2020) e Histórias brasileiras (2022), além de oficina em Histórias da infância (2017) e dos projetos MASP Renner 1a temporada (2018-2019) e MASP Afterall ArtSchool (2020).

A exposição de 2023 irá mostrar um conjunto de cerca de 120 pinturas sobre tela ou papel realizadas pelos artistas, além de vídeos sobre o seu contexto de produção, áudios com cantos que inspiram as imagens, além de uma pintura produzida para o espaço do museu e trabalhos escultóricos recentemente desenvolvidos por artistas do MAHKU, ocupando toda a galeria do 2o subsolo do MASP.

Além da mostra, será publicado um catálogo bilíngue com ensaios comissionados especialmente para a ocasião, além de reproduções de trabalhos produzidos pelo grupo e traduções de mitos e cantos Huni Kuin.

Sala de vídeo: Coletivo Bepunu Mebengokré

24/3—18/6/2023
2° subsolo
Curadoria: Edson Kayapó, curador-adjunto de arte indígena, MASP

O coletivo Bepunu Mebengokré, coordenado pelo jovem líder e cineasta Bepunu, tem assumido o protagonismo na apresentação das histórias e ancestralidades do povo Mebengokré para a sociedade não indígena por meio das tecnologias audiovisuais. Os caminhos percorridos pelos roteiros narrativos, bem como o foco das câmeras do coletivo, centram suas ações em cosmologias, nas relações com a floresta e na visibilidade das histórias silenciadas. A ideia do coletivo é facilitar o acesso da sociedade brasileira e da comunidade internacional às histórias dos antepassados Mebengokré, contribuindo com a efetivação dos direitos desse povo nos dias atuais e no combate ao ecocídio na Amazônia brasileira.

O cineasta Bepunu Mebengokré é filho do cacique Bepkaeti e mora na aldeia Mojkarako, localizada no município de São Félix do Xingu, sul do Pará. No seu percurso formativo consta a sua participação em um curso de cinema, com duração de quatro anos, realizado pelo Museu Paraense Emílio Goeldi, na cidade de Belém, no Pará; participação em uma oficina de cinema em Paris e participação e no curso de cinema realizado durante o Encontro Belém+30, onde teve uma fotografia premiada. Bepunu ministra palestra em universidades e outras instituições no Brasil e no exterior.

Paul Gauguin: o outro e eu

28/4—6/8/2023
1o andar
Curadoria: Adriano Pedrosa, diretor artístico, MASP; Fernando Oliva, curador, MASP; Laura Cosendey, curadora assistente, MASP

Paul Gauguin: o outro e eu é a primeira exposição a problematizar a relação de Gauguin com a ideia de alteridade e da exotização do “outro”. De maneira crítica, a mostra aborda problemáticas centrais em sua obra e tem como foco dois temas emblemáticos: seus autorretratos e seus trabalhos produzidos no Taiti (Polinésia Francesa), onde realizou suas pinturas mais conhecidas e passou a maior parte da última década de sua vida. Seus trabalhos desse período suscitam temas como as contestadas noções de primitivismo, um imaginário sobre o “exótico” e os “trópicos”, e apropriação cultural; além de questões relacionadas à sexualidade, androginia e erotização do corpo feminino. Paul Gauguin: o outro e eu investiga a tensão entre sua biografia, a imagem que criou de si mesmo enquanto artista, e a maneira como sua obra reforçou um imaginário sobre o “outro”. O Taiti que Gauguin representou ia além da realidade encontrada por ele, reproduzindo as fantasias que um homem europeu tinha de uma ilha paradisíaca, intocada pela “civilização” europeia. A exposição faz parte de uma série de mostras que procuram analisar, a partir de perspectivas críticas, artistas europeus canônicos presentes no acervo do MASP — que possui duas obras de Gauguin —, problematizando sua obra à luz de questões contemporâneas.

Nascido em Paris, Paul Gauguin (1848-1903) viveu parte de sua infância no Peru. Foi só aos 35 anos que passou a se dedicar exclusivamente à pintura, estabelecendo-se em Paris. Passou algumas temporadas em regiões da França como a Bretanha e Arles, onde conviveu com o artista holandês Vincent van Gogh durante os intensos meses em que dividiram um ateliê. Frustrado com a cena artística da metrópole parisiense e passando por dificuldades financeiras, o artista nutriu o desejo de partir em busca de uma outra experiência de mundo, na qual pudesse aliar sua pintura a um imaginário para além dos padrões da cultura europeia. Gauguin partiu para o Taiti em 1893 e, após um intervalo de 2 anos em Paris, retornou ao Pacífico para lá permanecer até a sua morte, em 1903, nas ilhas Marquesas. A mostra é estruturada conceitualmente a partir das pinturas de Gauguin no acervo do MASP: Autorretrato (perto do Gólgota) e Pobre pescador, ambas produzidas no Taiti em 1896.

A exposição conta com obras fundamentais do artista reunidas por meio de empréstimos internacionais de museus como Metropolitan Museum (Nova York), National Gallery of Art (Washington), J. Paul Getty Museum (Los Angeles), Musée d’Orsay (Paris), Tate (Londres), National Gallery (Londres), entre outras instituições dos Estados Unidos e da Europa.

O projeto inclui ainda a publicação de um catálogo com ensaios comissionados de autores fundamentais para o estudo e revisão crítica da obra de Gauguin na atualidade, fruto de um seminário internacional inteiramente dedicado ao artista, organizado pelos curadores da mostra e promovido pelo MASP em março de 2022.

Sheroanawe Hakihiiwe

30.6—24.9.2023
1o subsolo
Curadoria: André Mesquita, curador, MASP; David Ribeiro, assistente curatorial, MASP

O MASP apresenta exposição dedicada ao trabalho do artista yanomami Sheroanawe Hakihiiwe. Nascido em 1971 na comunidade indígena Sheroana, na Amazônia venezuelana, Hakihiiwe vive hoje entre Caracas e Mahekototeri, comunidade na região do alto Orinoco. Através do desenho, o artista realiza um trabalho que resgata tradições ancestrais e a arte encontrada no cotidiano de sua comunidade, presente nas pinturas corporais e em utensílios domésticos. O artista produz desenhos mínimos e abstratos, com linhas retas e curvas, pontos e formas que retomam essas referências, bem como a fauna e a flora das florestas, elaborando uma inusitada gramática visual conectada às cosmologias amazônicas. Hakihiiwe começou a produzir na década de 1990, a partir de seu encontro com a artista mexicana Laura Anderson Barbata. Juntos, desenvolveram uma técnica de produção de papel com fibras vegetais nativas — material que o artista utiliza como suporte para seus desenhos.

Desde o ano de 2004, o trabalho de Sheroanawe Hakihiiwe foi apresentado em exposições individuais na Venezuela e no Brasil, bem como em Londres, Madri, Barcelona e Lisboa, sendo que a sua primeira individual no Brasil aconteceu em 2021 na Galeria Fortes D’Aloia & Gabriel, no Rio de Janeiro. O artista também expôs em mostras coletivas como a 23ª Bienal de Veneza (2022) e a Les Vivants (Fondation Cartier, França, 2022), além de diversas outras mundo afora, em países como Alemanha, Bélgica, Argentina, Estados Unidos, Colômbia, Canadá, Austrália e Nepal. No Brasil, esteve presente em Nosso Norte é o Sul (Gomide & Co., 2021), Uma história natural das ruínas (Pivô, 2021) e na Bienal de Curitiba (2012). Hakihiiwe já recebeu prêmios e distinções, entre os quais uma bolsa de residência do Piramidón (Barcelona, 2021), o prêmio Refresh Irinox na feira de arte contemporânea Artissima (Turim, 2019) e o primeiro prêmio da Bienal Internacional de Artes Indígenas Contemporâneas de Conaculta (Cidade do México, 2012).

Sheroanawe Hakihiiwe, Huwe moshi 26 (serpiente coral 26), 2018

Comodato MASP Landmann — cerâmicas e metais pré-colombianos

30.6—10.9.2023
2o subsolo
Curadoria: Marcia Arcuri, curadora-adjunta de arte pré-colombiana, MASP; com assistência de Leandro Muniz, assistente curatorial, MASP

A exposição Comodato MASP Landmann — cerâmicas e metais pré-colombianos reunirá aproximadamente 750 peças arqueológicas produzidas pelos povos ameríndios, entre os séculos 7 a.C. e 16. Os objetos testemunham o vasto legado histórico e científico construído pelas sociedades antigas do continente americano. A mostra apresenta artefatos arqueológicos atribuídos a culturas que floresceram remotamente nas regiões do Peru, Bolívia, Equador e Colômbia — tais como Chavin, Paracas, Nasca, Moche, Huari, Lambayeque, Chimu, Chancay, Inca, Calima, Tolima, Zenú, Muísca, assim como peças Marajoara, da Amazônia brasileira.

Esta é a segunda exposição dedicada ao comodato MASP Landmann, que chegou ao museu em 2016. A primeira, dedicada aos tecidos, integrou a programação de Histórias das mulheres, histórias feministas (2019); em 2023, chegam ao público as cerâmicas e metais do comodato, que reúne 906 peças arqueológicas. Ao longo de mais de cinquenta anos, Oscar e Edith Landmann reuniram uma das mais representativas coleções de arte pré-colombiana do Brasil, abrangendo objetos de diferentes tipologias, produzidos nos Andes entre 1000 a.C. e o século 16.

Sala de vídeo: Sky Hopinka

30.6—13.8.2023
2° subsolo
Curadoria: María Inés Rodríguez , curadora-adjunta de arte moderna e contemporânea

Sky Hopinka (Ho-Chunk Nation/Pechanga Band of Luiseño Indians) nasceu e cresceu em Ferndale, Washington e passou vários anos em Palm Springs e Riverside, Califórnia, Portland, Oregon e Milwaukee, Wisconsin. Em Portland, estudou e ensinou chinuk wawa, uma língua nativa da bacia do rio Columbia. Seus vídeos, fotos e textos giram em torno de sua opinião sobre a paisagem e a terra indígena.

Seu trabalho foi apresentado em vários festivais, incluindo Sundance, Toronto International Film Festival, Ann Arbor, Courtisane Festival, Punto de Vista e New York Film Festival. Sua obra fez parte do 2017 Whitney Biennial, FRONT Triennial 2018 e Prospect.5, em 2021. Foi curador convidado da Whitney Biennial 2019 e participou do Cosmopolis #2 no Centre Pompidou. Realizou uma exposição individual no Centro de Estudos Culturais, Bard College, em Nova York, em 2020, e em 2022 na LUMA em Arles, França. Recebeu o Infinity Award in Art do International Center e do Alpert Award para Filme/Vídeo, e bolsas de estudo, incluindo The Radcliffe Institute for Estudos avançados na Harvard University, Sundance Art of Nonfiction, Art Matters, The Guggenheim Foundation e O Projeto Forja. No outono de 2022, Hopinka recebeu uma bolsa MacArthur por seu trabalho como artista visual e cineasta.

Sala de vídeo: Brook Andrews

25/8—8/10/2023
2° subsolo
Curadoria: Leandro Muniz, assistente curatorial, MASP

A partir de materiais de arquivos, que incluem fotografias dos séculos 19 e 20, filmes, desenhos animados, entrevistas e notícias, o artista e curador australiano Brook Andrew investiga as formas de representação e preservação de memória dos povos aborígenes, em especial os Wiradjuri e Ngunawal, dos quais é descendente junto a celtas e judeus. Além de discutir as opressões históricas e relações de poder desenvolvidas no processo de colonização do território australiano, Andrew interessa-se pelos fluxos culturais estabelecidos nesse período. Sua obra é marcada por um raciocínio de colagem, contrapondo documentos e cores ácidas, grafismos dos povos originários e pinturas murais, palavras na língua Wiradjuri e neons. Seus vídeos radicalizam ainda mais essa estrutura disjuntiva: utilizando edições abruptas e um tipo de linguagem de desktop, o artista contrasta os diferentes materiais coletados em suas pesquisas, criando narrativas fragmentárias que questionam apagamentos sociais, estruturas jurídicas e culturais.

Brook Andrew (Sydney, Austrália, 1970) atua como artista, curador e professor e tem uma prática interdisciplinar orientada pelas colisões de narrativas surgidas do “buraco colonial” (wuba). Sua prática é ancorada em sua perspectiva como um australiano Wiradjuri (indígena) e como pessoa celta. Seus trabalhos, intervenções em museus, pesquisas, palestras e projetos curatoriais provocam as limitações impostas pelas estruturas de poder, amnésia histórica e desejo de fomentar formas indígenas de conhecimento. Já expôs em instituições como Royal Albert Memorial Museum, Exeter; Gropius Blau, Berlin; musée du quai Branly, Paris; Musée d’etnographie de Genève, Geneva; National Gallery of Victoria, Melbourne, entre outras. Foi curador da 22ª Bienal de Sydney e consultor internacional para o Pavilhão Sámi da 59ª Bienal de Veneza. Como pesquisador, Andrew é professor na Universidade de Melbourne; pesquisador associado no Pitt Rivers Museum e pesquisador associado no laboratório de pesquisa Wmimjeka Djeembana, Universidade de Monash. É DPhil pela Ruskin School of Art, Universidade de Oxford e suas palestras, conferências e talks podem ser acessados em instituições como Palais de Tokyo; Stedelijk Museu e Museum Summit. Somando à sua prática artística e acadêmica, Andrew estabeleceu o braço editorial Garru Editions, em 2020. Em 2023, participa da 15ª Sharjah Biennial e a Sala de Vídeo no MASP é a primeira exposição do artista no Brasil.

Histórias indígenas

20/10/2023—25/2/2024
1o andar e 2o subsolo
Organizada pelo MASP em colaboração com o Kode Bergen Art Museum, Noruega
Curadoria: Edson Kayapó, curador-adjunto de arte indígena, MASP, Kassia Borges Karajá, curadora-adjunta de arte indígena, MASP, e Renata Tupinambá, curadora-adjunta de arte indígena, MASP
Curadoria convidada: Abraham Cruzvillegas (México), Irene Snarby (Sámi, Noruega), Nigel Borell (Maori, Nova Zelândia) e Sandra Gamarra (Peru), entre outros.

A grande exposição coletiva Histórias indígenas apresenta diferentes relatos de histórias indígenas do mundo, por meio da arte e das culturas visuais, reunindo obras de múltiplas mídias, tipologias, origens e períodos. Apesar do alcance internacional e da amplitude temporal da exposição, não se trata de uma abordagem abrangente, nem enciclopédica — pelo contrário. Nesse sentido, é importante levar em consideração o significado particular de “histórias” em português, que é bastante diferente do termo correspondente em inglês. O termo “histórias” engloba tanto a ficção quanto a não ficção, tanto relatos históricos quanto pessoais, de natureza pública e privada, em nível micro ou macro, e, portanto, possui uma qualidade mais polifônica, especulativa, aberta, incompleta, processual e fragmentada do que a noção tradicional de história.

Histórias indígenas compreende oito núcleos: sete dedicados a diferentes regiões do mundo e um temático, em torno de ativismos indígenas. Os sete núcleos regionais abordarão histórias indígenas de diferentes territórios da Oceania, da América do Norte, da América do Sul e da Escandinávia. O objetivo não é o de representar de maneira completa as vastas e complexas histórias indígenas de cada região em particular, mas sim o de fornecer um corte transversal, um fragmento ou uma amostra dessas histórias em uma seleção concisa, mas relevante, para que esse corte possa ser justaposto com outros de diferentes partes do mundo. Cada um dos núcleos regionais terá curadoria ou cocuradoria de curadores indígenas ou artistas de origem indígena.

Melissa Cody

20/10/2023—25/2/2024
1o subsolo
Curadoria: Isabella Rjeille, curadora, MASP

Melissa Cody (1983, No Water Mesa, Arizona, EUA) é uma artista Navajo que pertence à quarta geração de artistas de sua família. As tecelagens de pequenas, médias e grandes proporções de Cody são feitas a partir de tradicional técnica de seu povo e transmitidas de geração em geração. Seu estilo está associado ao Germantown Revival, um movimento estilístico de tecelagem que recebeu o nome da lã que o governo de Germantown, Pensilvânia (EUA), forneceu ao povo indígena durante o episódio histórico que ficou conhecido como “Long Walk” (1864). Este episódio narra a migração forçada do povo Navajo de suas terras tradicionais no Arizona para o Novo México em uma medida adotada pelo governo dos Estados Unidos. Essa deportação impactou profundamente a noção contemporânea de identidade e território dos Navajo. Em sua obra, Cody mistura padrões e símbolos tradicionais navajo com referências desde o mundo pixelado dos computadores até universo pop, combatendo os processos que buscam fixar as culturas indígenas em um passado idílico.

Mellissa Cody, Under Cover of Webbed Skies, 2021. Courtesy of the artist and Garth Greenan Gallery, New York

Sala de vídeo: Glicéria Tupinambá e Alexandre Mortágua

20/10—3/12/2023
2° subsolo
Curadoria: Renata Tupinambá, curadora-adjunta de arte indígena, MASP

Glicéria Tupinambá é artista, ativista e educadora indígena da aldeia Serra do Padeiro, localizada na Terra Indígena Tupinambá de Olivença, no sul da Bahia. Aos 39 anos, participa intensamente da vida política e religiosa dos Tupinambá, envolvendo-se, sobretudo, em questões relacionadas à educação, à organização produtiva da aldeia, serviços sociais e direitos das mulheres. Foi indicada ao prêmio Pipa 2022 e voz ativa na ONU pelos direitos dos povos indígenas.

Alexandre Mortágua é diretor, produtor e roteirista, e aborda questões sociais em suas produções. Produz filmes para a FILMES D’O BAILE desde 2015, nos quais dirigiu longas, curtas, videoclipes e videoclipes em colaboração com artistas brasileiros e internacionais. Dirigiu o longa Todos Nós cinco milhões, sobre abandono paterno no Brasil, e em maio de 2022 lançou o livro de autoficção de contos Aqui, agora, todo mundo.

Para a Sala de vídeo, Glicéria Tupinambá e Alexandre Mortágua apresentam Quando o manto fala e o que o manto diz (2023). O filme registra o processo de Glicéria Tupinambá em reconectar-se com os saberes adormecidos de sua aldeia. O manto tupinambá ganha uma nova voz pelas mãos da artista da Serra do Padeiro.

Sala de vídeo: Cecília Vicuña

15/12/2023—28/1/2024
2° subsolo
Curadoria: Kássia Borges, curadora-adjunta de arte indígena, MASP

Cecília Vicuña Ramírez (Santiago, 22 de julho de 1948) é uma poetisa, cineasta e artista visual chilena radicada em Nova York. Seu trabalho versa sobre os temas da memória, ecologia, direitos humanos e feminismo. Em sua pesquisa, faz uma crítica ao mundo moderno e às políticas de destruição ecológica e da homogeneização cultural. Suas práticas artísticas estão ligadas às agendas do feminismo e da natureza, o que fez com que a artista tenha sido ligada ao termo ecofeminismo. Ao articular poesia, vídeo, pintura e ritual, a artista chilena resgata saberes indígenas sobre o poder das mulheres e dos saberes dos seres da floresta. Numa bricolagem entre história e mitos, Cecília cria uma obra heterogênea, pungente, real e sensível.

Cecilia Vicuña nasceu em Santiago do Chile em 1948 e cresceu em La Florida, no vale do Maipo. Em 1966, ela ingressou na escola de arquitetura na Universidade do Chile em Santiago, mas mudou para a escola de Belas Artes. Em 1967 fundou o grupo de artistas e poetas Tribu No e a revista mexicana El Corno Emplumado, em que publicou seu primeiro poema. Recebeu seu MFA da Universidade do Chile em 1971 e mudou-se para Londres com um British Council Award em 1972 para frequentar a Slade School of Fine Art. Em 1973, ela se exilou em Londres e concentrou-se principalmente no ativismo político, manifestando-se em protestos pacíficos contra o fascismo e as violações dos direitos humanos no Chile e em outros países. Ela é membro fundadora do Artists for Democracy e organizou o Festival de Artes para a Democracia no Chile no Royal College of Art, em 1974. Em 1975, Vicuña deixou Londres e mudou-se para Bogotá, na Colômbia, para realizar pesquisas independentes sobre arte e cultura indígenas. Na década de 80 expôs seu trabalho no MoMA, no Alternative Museum e no Center for Inter American Relations, em Nova York. Na década de 1990, Vicuña realizou diversas exposições individuais nos Estados Unidos, como Precarious, na Exit Art, Nova York (1990); El Ande Futuro, no University Art Museum, Berkeley, Califórnia (1992); e Cloud-Net, exposição itinerante no Hallwalls Contemporary Arts Center, Buffalo, NY (1998), DiverseWorks Artspace, Houston, Texas, e Art in General, Nova York, NY (1998). Em 2018, Vicuña tornou-se a artista residente da bolsa internacional Sarah Lee Elson do Museu de Arte da Universidade de Princeton.


Na imagem do topo: Paul Gauguin, Pobre pescador, 1896. Foto: João Musa

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