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Casa Museu Eva Klabin revela, pela primeira vez, peças do acervo pessoal da colecionadora

28/01/2026 - Por ArtRio

A compreensão da beleza como experiência cotidiana — e não apenas como contemplação — atravessa a trajetória de Eva Klabin e estrutura a exposição “Beleza habitada: Eva Klabin, moda e memórias”, que abre o calendário de 2026 da Casa Museu Eva Klabin. A mostra propõe uma leitura integrada entre arte, moda, mobiliário, objetos do cotidiano e vida social, revelando como a colecionadora construiu, ao longo de décadas, uma síntese estética e singular entre viver e criar.

Com curadoria de Helena Severo e Brunno Almeida Maia, e expografia de Leandro Leão, a exposição apresenta, pela primeira vez ao público, um amplo conjunto de peças do acervo pessoal de Eva Klabin — entre roupas, acessórios, objetos íntimos e documentos — articulado às obras de arte da coleção permanente da Casa.

A mostra é organizada em cinco eixos curatoriais, que articulam colecionismo, vida social, cultura e moda como dimensões sempre presentes na trajetória de Eva Klabin. No eixo “Afinidades sensíveis” parte da herança modernista do século XX e apresenta a coleção como uma constelação de formas, materiais e linguagens — da arquitetura e do mobiliário às vestimentas, louças e obras de arte — relacionadas por aproximações formais, cromáticas e sensíveis, afirmando a moda como elemento ativo desse campo estético integrado. Artistas visuais como Frans Krajcberg (1921-2017), Lasar Segall (1889-1957), Carlos Scliar (1920–2001), Paulo Roberto Leal (1946–1991) e Emanoel Araújo (1940–2022) ganham destaque no eixo temático.

A casa surge como espaço de encontros, trocas e diplomacia cultural em “Modos de existir: Eva Klabin e o seu tempo”. O núcleo destaca episódios emblemáticos da vida social da colecionadora, como o jantar oferecido ao banqueiro e filantropo David Rockefeller, na década de 1970, cuja ambiência é recriada a partir de documentos, pratarias, louças e arranjos concebidos por Roberto Burle Marx. O eixo aborda ainda o cotidiano íntimo de Eva, seus hábitos culturais, a realização de eventos musicais em sua residência e as viagens de formação realizadas ao lado de sua irmã, Ema Klabin.

O eixo “Modos de colecionar” apresenta a trajetória de Eva Klabin como colecionadora ao longo de mais de quatro décadas, desde as primeiras aquisições realizadas em 1947, com Pietro Maria Bardi, até as últimas peças adquiridas antes de seu falecimento. O conjunto reúne obras e objetos de diferentes períodos e geografias, propondo uma leitura ampliada da história da arte, do Antigo Egito à arte moderna. A coleção de indumentárias integra esse núcleo como parte do mesmo gesto colecionador, afirmando um guarda-roupa vívido, coerente e sensível.

Em “A linguagem secreta dos objetos”, o foco recai sobre fragmentos da cultura material que expressam memória, subjetividade e formação identitária. Objetos pessoais como chapéus, luvas, sapatos, cadernetas, diários, documentos e correspondências revelam gestos, hábitos e modos de viver no mundo. Entre os destaques estão criações de nomes como Pierre Cardin, Chanel, Salvatore Ferragamo e Charles Jourdan, além de peças de chapelaria assinadas por Rose Valois e Gilbert Orcel, cujas obras integram também acervos internacionais.

Já o eixo “O visível, o invisível: a moda como arte” afirma a moda como linguagem artística e campo de criação. Essas criações, associadas à modernidade do século XX, convivem com um núcleo especialmente dedicado à modista carioca Zulnie David, principal responsável pelas roupas de Eva Klabin entre as décadas de 1940 e 1980. Christian Dior, Coco Chanel, Jean Patou e Marie Martine também figuram entre os nomes que estruturam o eixo. Ao evidenciar sua produção e colocá-la em diálogo com a alta-costura internacional, a exposição propõe uma revisão crítica da história da moda no Brasil, problematizando processos de visibilidade e apagamento histórico e reafirmando a moda como prática artística.

O percurso expositivo reúne obras da coleção permanente da Casa Museu Eva Klabin, peças emprestadas de outros acervos, fotografias de arquivo, indumentárias, objetos pessoais e ampla documentação histórica. Ao todo, são apresentados mais de 130 itens de moda e acessórios, articulados a cartas, convites, menus, listas de convidados, livros de ouro, recortes de imprensa e materiais audiovisuais com depoimentos de amigos e familiares, ampliando as camadas de leitura sobre a trajetória de Eva Klabin.

A exposição será inaugurada no dia 31 de janeiro (sábado), das 16h às 20h, com entrada gratuita, e permanece até 24 de maio. A visitação acontece de quarta a domingo, das 14h às 18h. A Casa Museu Eva Klabin fica na Av. Epitácio Pessoa, nº 2480 – Lagoa Rodrigo de Freitas.

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