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Após adiamento, Fortes D’Aloia & Gabriel abre duas novas exposições em São Paulo

05/07/2021 - Por ArtRio

Originalmente previstas para o final do último mês e adiadas devido a confirmação de um caso de Covid-19 na equipe, as individuais de Gokula Stoffel, ‘Persona’, e de Nuno Ramos, ‘Brujas’, abrem amanhã, 6 de julho, na Fortes D’Aloia & Gabriel, em São Paulo.

Brujas, de Nuno Ramos, apresenta 25 obras feitas com carvão, pigmento, grafite e tinta óleo sobre papel, que ocupam sequencialmente o espaço, como em uma galeria de retratos. A exposição toma um único gesto repetido infinitas vezes como elemento central nos trabalhos que mesclam conceitualmente desenho e monotipia.

Composições cromáticas, luminosidade e uma cadência na intensidade do gesto definem a identidade individual de cada trabalho e também sua filiação em subgrupos. As passagens gradativas fazem da instalação um conjunto cuidadosamente orquestrado. A prática da monotipia está no cerne da fatura, mas Ramos desenha no avesso do papel. A superfície é atravessada pelo desenho e pelo acúmulo de matéria. O pó interage e negocia seu espaço com os poros do papel determinando o resultado final, sem o total controle do artista. “A superfície do País está totalmente tomada pela discursividade fátua, maluca, louca, mentirosa, violenta, e parece que temos que atravessar essa camada e encontrar uma porosidade que permita pegar uma coisa mais verdadeira, mais amorosa, mais interessante”, diz o próprio.

Bruxas — aqui em espanhol Brujas — faz referência ao pintor espanhol Francisco de Goya, que usou imagens de bruxas como uma crítica social contemporânea.  Em pinturas e gravuras, do final do século XVIII, os seus trabalhos ligados ao tema viam a bruxaria —  a partir da inquisição —  como uma lembrança perene dos perigos e males da religiosidade extrema. Nas palavras de Nuno Ramos:  “é uma evocação e um chamado de uma potência que não é dispensável agora. É como se a gente precisasse de forças para reagir e lutar de volta contra o que está acontecendo”. As obras que integram a mostra lidam com incertezas e uma necessidade incontestável de mudança.

‘Brujas’ de Nuno Ramos
6 julho a 14 agosto de 2021
Fortes D’Aloia & Gabriel
Rua James Holland 71, São Paulo
A exposição é acompanhada de um texto crítico do pesquisador, professor e curador Diego Matos

Vista da exposição em Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo, 2021. Foto: Eduardo Ortega. Cortesia Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo/Rio de Janeiro.

 

Dividindo com Nuno Ramos o Galpão está Persona, a primeira exposição individual de Gokula Stoffel desde o anúncio de sua representação pela galeria. A mostra reúne 18 obras que revelam uma forte inquietação e subjetividade. Trabalhando na escala íntima de obras que cabem nas mãos até grandes formatos, a artista explora desde o gênero clássico da pintura em óleo sobre linho a esculturas de resina e biscuit, incluindo também uma prática de tecelagem e assemblage de tecidos.

Num modus operandi oposto à linearidade, Gokula sobrepõe pensamentos e humores à medida que combina materiais de naturezas distintas. Em Meditação, 2021, por exemplo, uma mão de biscuit é inserida na tecelagem de corda, que por sua vez adquire planos de cor com o uso de lã colorida entrelaçada na trama de sisal tecida organicamente. Após dias de observação, o conjunto ganha pernas de arame, roupas e um sugestivo perfil pintado a óleo; um corpo que toma forma enquanto reforça um embaralhamento entre paisagem e figuração.

A exposição resulta desse processo empírico caro à artista, que desenvolve grande intimidade com os materiais e suas possibilidades no trabalho cotidiano do ateliê. Na pequena pintura Suspense, 2020, pinceladas rarefeitas imprimem a imagem de um rosto que parece estar entre a tensão, a melancolia e a expectativa. Já Concha e falo,2021, é uma escultura de parede que traz a manualidade como elemento central, formando dobras nas quais percebe-se protuberâncias e profundezas impressas com a força dos dedos da artista.

Gokula Stoffel: Persona
6 julho a 14 agosto de 2021
Fortes D’Aloia & Gabriel
Rua James Holland 71, São Paulo
A mostra é acompanhada de um texto crítico do curador Ricardo Sardenberg.

Vista da exposição em Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo, 2021. Foto: Eduardo Ortega. Cortesia Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo/Rio de Janeiro.


Sobre o artista | Nuno Ramos nasceu em São Paulo em 1960, onde vive e trabalha. Suas exposições individuais recentes incluem: A extinção é para sempre, Sesc São Paulo (São Paulo, 2021); Sol a pino, Fortes D’Aloia & Gabriel | Galeria (São Paulo, 2019); O Direito à Preguiça, CCBB (Belo Horizonte, 2016); O Globo da Morte de Tudo, em parceria com Eduardo Climachauska, SESC Pompéia (São Paulo, 2016); HOUYHNHNMS, Estação Pinacoteca (São Paulo, 2015); Ensaio Sobre a Dádiva, Fundação Iberê Camargo (Porto Alegre, 2014); Anjo e Boneco, Museu Oscar Niemeyer (Curitiba, 2013); Fruto Estranho, MAM Rio (Rio de Janeiro, 2010). Destacam-se ainda suas participações na Bienal de São Paulo (2010, 1994, 1989 e 1985) e na Bienal de Veneza (1995). Em 2019, a editora Todavia publicou “Verifique se o mesmo”, uma nova compilação que agrupa textos escritos entre 2008 e 2017, alguns já publicados em jornais e revistas, outros inéditos. Seu livro, “Junco”, lançado em 2011 pela editora Iluminuras, ganhou o Prêmio Portugal Telecom de Literatura na categoria Poesia. Em 2008, ganhou o Prêmio Portugal Telecom de melhor livro do ano com “Ó”, também publicado pela Iluminuras.

Sobre o artista | Gokula Stoffel (Porto Alegre, 1988) vive e trabalha em São Paulo. Entre suas principais exposições individuais estão: Para-Sol, Pivô (São Paulo, 2018); Alvorada de Vênus, Auroras (São Paulo, 2018); e Madona Ansiosa, Fortes D’Aloia & Gabriel | Galpão (São Paulo, 2017). A artista participou de diversas mostras coletivas, incluindo: Nightfall, curadoria de Fernanda Brenner, Milovan Farronato e Erika Verzutti, na Mendes Wood DM (Bruxelas, Bélgica, 2018); e Abre Alas #12, curadoria de Adriana Varejão, Paula Borghi e André Sheik, em A Gentil Carioca (Rio de Janeiro, 2016).


Na imagem do topo: Nuno Ramos, Brujas 37, 2020. Carvão, grafite e pigmento sobre papel

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