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Anna Bella Geiger: Como vender a Lua

01/04/2026 - Por ArtRio

A Danielian apresenta a exposição “Como vender a Lua”, individual de Anna Bella Geiger. Com curadoria de Marcus de Lontra Costa e Rafael Fortes Peixoto a mostra reúne cerca de 45 trabalhos criados pela artista a partir de imagens da lua capturadas pela NASA na expedição Apolo XV de 1969, que marca a chegada do homem ao território lunar durante a corrida espacial da Guerra Fria. “Ao tomar contato, no início dos anos 1970, com uma série de fotos realizadas na primeira expedição humana à lua, Anna Bella mergulha de maneira silenciosa num processo de experimentação de técnicas e operações que só anos depois seriam apresentados ao público.” – afirma a curadoria. 

Na série lunar, criada entre os anos 1970 e 1974, a artista explora o universo da gravura em suas mais variadas técnicas. Como ambiente temático, a artista aborda questões sobre território, identidade e pertencimento que irão atravessar seus mais de 70 anos de produção artística. Desde a década de 1970, a representação cartográfica é recorrente em minha obra, através de conceitos como local, global, territorial, fronteiriço entre outros. Porém, é importante entender que esta motivação surgiu, em grande parte, pela chegada do homem à lua, em 1969” – conta Anna Bella.

Em meio à repressão da ditadura militar, a apropriação do solo da lua, como espaço da liberdade de expressão encontra paralelos com a prática inglesa do speakers corner – na capital britânica, desde de 1872, em um dos seus principais parques, se perpetua o hábito democrático de fazer críticas abertas ao governo sem nenhuma restrição ou censura, desde que o indivíduo, ao falar, esteja sobre um caixote, ou seja, fora do solo britânico. Desta forma, como atitude de enfrentamento político, Geiger desloca o lugar de fala para um ambiente neutro e extraterreste. 

Anna Bella Geiger ao longo de mais de sete décadas de carreira vem produzindo em diversos suportes e linguagens, sempre de maneira provocadora, fronteiriça e subversiva, desafiando conceitos hegemônicos no campo da geopolítica, da cultura e da própria arte.  Suas obras fazem parte de algumas das mais proeminentes coleções internacionais como as do Museum of Modern Art (MoMA), Nova York; Centre Pompidou, Paris; MACBA, Barcelona; Museo Centro de Arte Reina Sofia, Madrí; Victoria & Albert Museum, Londres. Fogg Museum, Cambridge; Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP); Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC–USP), entre outras. Seu pensamento e suas investigações fundamentam gerações de artistas brasileiros e apontam caminhos e compreensões essenciais à prática e à vivência contemporânea. 

Esta mostra, que reúne grande parte de sua produção sob influência das questões lunares, além das obras de época, apresenta ainda dois macios criados pela artista especialmente para a exposição. Como recorte curatorial, reapresentar a série lunar ao público tem a intenção de recolocar estes questionamentos e provocações da artista na pauta dos debates contemporâneos, mostrando não só sua atualidade como também a importância da trajetória artística e intelectual de um dos nomes mais importantes da arte brasileira.

Segundo os curadores  “Anna Bella recusa a dominação simbólica e adota uma postura de enfrentamento político. Deslocar para revelar, transferir para subverter – operações e jogos essenciais do fazer de Anna Bella Geiger. No deserto, na lua ou na memória, chão é identidade em construção e o sujeito, gravado pelo x da marcação, define o local da ação.”

A mostra vai até 31 de abril de 2026.  A Danielian fica na Rua Major Rubens Vaz, 414 – Gávea. Funcionamento: de segunda a sexta de 11h às 19h, e  sábado das 11h às 17h. Entrada gratuita.  

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