Galeria Movimento | Ciclo, de Toz
A repetição sempre foi um motor no trabalho de Toz, articulando insistência, disciplina e método. Personagens como Nina, Shimu e o Vendedor de Alegria incorporam essa recorrência por meio da curva, da bola e do círculo, formas que reaparecem em diferentes situações e atmosferas. Em “Ciclo”, essa insistência deixa de operar prioritariamente como narrativa figurativa e passa a organizar o campo visual da obra, orientando ritmo, composição e cor.
“Tudo vira círculo para mim. A repetição faz parte do meu processo. É insistindo que as coisas mudam”, diz o artista. Nas pinturas apresentadas, séries de círculos se organizam em campos cromáticos marcados por linhas vivas e levemente irregulares. Não há simetria rígida nem precisão matemática. O gesto permanece visível, o traço é feito à mão livre e o erro é incorporado como linguagem. Em meio à repetição, um único círculo preenchido irrompe, carregando memória cromática e vestígio do que já esteve ali. A continuidade se constrói por variações, desvios e tensões.
Para a curadora Paula Mesquita, esse jogo entre repetição e diferença é central na exposição: “A forma circular emerge como síntese. Aquilo que antes era personagem se condensa em estrutura, sem que a experiência acumulada se perca. Ela apenas se reorganiza”.
Ciclo, de Toz
Galeria Movimento | Rua dos Oitis, 15 – Gávea
Abertura: domingo, 15 de março de 2026, às 15h
Visitação: de 15 de março a 18 de abril de 2026
De terça a sexta, das 11h às 19h, e sábado, das 13h às 17h
Entrada gratuita