Casa Triângulo | Dois Infinitos, de Sandra Cinto
O eixo central da mostra é um grande biombo circular, concebido especialmente para a exposição. A escolha do biombo — elemento historicamente associado à ideia de passagem, proteção e delimitação — dialoga diretamente com a pesquisa da artista sobre fronteiras instáveis e territórios imaginários. Em sua produção, o mar, o céu e a linha do horizonte aparecem como metáforas recorrentes de transição e incerteza; aqui, a estrutura circular potencializa essa noção de continuidade e ciclo, dissolvendo começo e fim.
Com superfície dourada, o trabalho aproxima-se das investigações recentes da artista sobre luz, reflexão e transcendência. O dourado, presente em diferentes momentos de sua obra, não opera como ornamento, mas como campo simbólico: remete ao sagrado, ao infinito e à ideia de permanência frente à fragilidade das paisagens que ela constrói. Ao envolver o espectador em uma forma curva e contínua, o biombo transforma o espaço expositivo em uma experiência imersiva, instaurando um ambiente contínuo e envolvente.
Em seu texto crítico, Josué Mattos destaca que “ao longo de mais de 30 anos, trinta anos, Sandra Cinto elege o espaço interior de cada ser vivo como residência do que define como Grande Sol e Noites de Esperança, duas forças que atravessam sua construção poética”.
Dois Infinitos, de Sandra Cinto
Casa Triângulo | Rua Estados Unidos 1324 . Jardins
Abertura: 28 de março de 2026, das 14h às 18h
De 24 de janeiro a 16 de maio de 2026
Funcionamento: de terça a sexta das 11h às 19h.
Sábado, das 11h às 17h.
Entrada gratuita.