Sobre a obra

Manipulações

A imagem de carros incendiados é presença constante em manifestações desde o regime militar brasileiro. O carro símbolo da modernidade brasileira parece incitar a insubordinação através da máquina moderna sendo destruída pelas chamas. Ao mesmo tempo a imagem também pode ser utilizada como forma de manipulação como por exemplo o - Atentado ao Riocentro - promovido por militares com o objetivo de acusar a esquerda por atos terroristas e que teve no carro destroçado o grande exemplo de seu fracasso. O presente trabalho foi desenvolvido a partir do pensamento que algumas imagens parecem atravessar a história recente brasileira e podem se estruturar como representações constantes de nosso imaginário. Neste caso a imagem foi apropriada de noticiários da internet sobre as manifestações de junho de 2013, transformada em reticula e gravada manualmente sobre chapa de compensado em grande formato e finalmente impressa em papel. A gravura apresenta certa precariedade e busca discutir as formas de manipulação da fotografia que se transforma em xilogravura num processo de perda e transformação da representação visual.


Ficha técnica

Xilogravura sobre papel.
Edição 1/5.
2017.


Sobre o artista

Rafael Pagatini

Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, 1985 Vive e trabalha em Vitória, Espírito Santo Artista plástico, bacharel em artes visuais e mestre em poéticas visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Sua produção contempla principalmente pesquisas utilizando as linguagens da gravura, fotografia e desenho, articulando relações com as ideias de deslocamento, fixação, apagamentos e memória. Rafael Pagatini participa com exemplares da série Conversas com a paisagem que, a partir de pesquisas e viagens pelas cinco regiões brasileiras e por meio de técnica que aproxima e funde fotografia e xilogravura, retrata a geografia do país, como um convite ao conhecimento que passa pelo viajar, pela vivência de diferentes ares, culturas e modos de pensar, ampliando horizontes. Esses trabalhos apresentam estradas soturnas pelas quais o artista transitou e coletou madeiras encontradas ao longo das jornadas e nas quais gravou imagens de seus deslocamentos. Os títulos dos trabalhos são decorrentes de anotações e diálogos com pessoas que o artista encontrou ao longo das viagens e que foram reunidos na publicação Conversas com a paisagem. Sua produção recente se caracteriza pela crítica da sociedade contemporânea, através da investigação das relações entre arte, memória e política. Pagatini é professor e pesquisador da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).


OÁ GALERIA

Vitória / ES

Inaugurada em abril de 2007 a OÁ Galeria – Arte Contemporânea tem como objetivo participar na construção de um olhar sensível para a arte contemporânea, apresentando-a em suas diferentes linguagens e suportes, bem como acompanhando o desenvolvimento de jovens artistas contemporâneos e também de artistas com carreira já consolidada no mercado de arte nacional e internacional.


Outras obras da galeria