Sobre a obra

Camadas (Lincoln Bicalho)

O trabalho apresenta o retrato do líder estudantil capixaba Lincoln Bicalho que foi perseguido, torturado e morto pelo regime militar brasileiro. Na parede da galeria foram gravados carimbos em baixo relevo dos órgãos de repressão do governo militar (DOPS São Paulo, DOPS Espírito Santo, Serviço Nacional de Informação, Centro de Informações da Marinha e Centro de Informações do Exército) no qual o artista encontrou referências ao estudante . A parede foi gravada em formato retangular deixando os carimbos em relevo na cor branca e o fundo escavado na cor cinza do concreto. Sobre os carimbos foi afixada folha de papel branco recortado a laser que através do contraste com o cinza promove o efeito óptico do rosto do estudante. Assim, a imagem é percepcionada através da relação entre a grade reticular e a parede do espaço expositivo escavado.

Informações oficiais da época do estado brasileiro afirmavam que Lincoln havia sido morto após reagir a uma ação policial, no entanto, em 2014 sua morte foi oficialmente dada como assassinato sob torturas no DOI-CODI do Rio de Janeiro. Registro com informações sobre o estudante estão presente em arquivos de vários órgãos de repressão de todo o país.


Ficha técnica

Corte e impressão a laser sobre papel gynriushogi e acrílico.
Edição 1/3.
2016.


Sobre o artista

Rafael Pagatini

Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, 1985 Vive e trabalha em Vitória, Espírito Santo Artista plástico, bacharel em artes visuais e mestre em poéticas visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Sua produção contempla principalmente pesquisas utilizando as linguagens da gravura, fotografia e desenho, articulando relações com as ideias de deslocamento, fixação, apagamentos e memória. Rafael Pagatini participa com exemplares da série Conversas com a paisagem que, a partir de pesquisas e viagens pelas cinco regiões brasileiras e por meio de técnica que aproxima e funde fotografia e xilogravura, retrata a geografia do país, como um convite ao conhecimento que passa pelo viajar, pela vivência de diferentes ares, culturas e modos de pensar, ampliando horizontes. Esses trabalhos apresentam estradas soturnas pelas quais o artista transitou e coletou madeiras encontradas ao longo das jornadas e nas quais gravou imagens de seus deslocamentos. Os títulos dos trabalhos são decorrentes de anotações e diálogos com pessoas que o artista encontrou ao longo das viagens e que foram reunidos na publicação Conversas com a paisagem. Sua produção recente se caracteriza pela crítica da sociedade contemporânea, através da investigação das relações entre arte, memória e política. Pagatini é professor e pesquisador da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).


OÁ GALERIA

Vitória / ES

Inaugurada em abril de 2007 a OÁ Galeria – Arte Contemporânea tem como objetivo participar na construção de um olhar sensível para a arte contemporânea, apresentando-a em suas diferentes linguagens e suportes, bem como acompanhando o desenvolvimento de jovens artistas contemporâneos e também de artistas com carreira já consolidada no mercado de arte nacional e internacional.


Outras obras do artista