Sobre a obra

Serra Salobra #6

As obras dessa série são, de alguma forma, desdobramentos de pesquisas que Rodrigo Braga iniciou em 2015 no interior da França, culminando na obra Mar Interior, instalação monumental realizada no ano seguinte, na grande bacia da explanada entre o Palais de Tokyo e o Museu de Arte Moderna de Paris. Para esta obra ao ar livre, o artista deslocou, de pedreiras do interior da França, cerca de 60 toneladas de pedras calcárias contendo milhares de fósseis, resquícios do antigo mar continental que teve lugar no que hoje conhecemos como França, em torno de 55 milhões de anos atrás. Esse tipo abundantes rocha, de coloração que faz lembrar areia de praia, foram amplamente usadas para construção civil ao longo dos séculos, levando o artista enxergar as cidades francesas como uma espécie de aglomerado de ‘castelos de areia’, repletos de conchas marinhas encrostadas nas paredes.

De volta ao Brasil, surge o interesse de conhecer melhor uma formação geológica semelhante em nosso continente, mas ainda mais ancestral, do tempo da separação da Gondwana, há cerca de 110 milhões de anos, quando ‘braços’ de mar invadem o continente e em seguida aprisiona-se como um ‘mar interior’ na região onde hoje é uma das porções mais áridas e quentes do Sertão nordestino: Sertão do Cariri, divisa entre os estados do Piauí, Pernambuco, Paraíba e Ceará. Os vestígios fósseis do nosso Sertão, fez florescer inúmeras lendas indígenas (notadamente as dos primeiros habitantes dos povos Kariris), em que animais, deuses e pessoas foram “encantadas” pelas profundezas das águas ancestrais, transformando-se para sempre em rochas. Tais contos de contornos arquetipicos, rebatem claramente nos mitos modernos em que se crer que o “Sertão vai virar mar.”

Ao longo de 2017 Braga fez incursões especialmente à Chapada do Araripe (CE), a fim de ter suas próprias experiências no lugar, conduzindo a ações de criação que vertem as imagens da série Serra Salobra.

Longe de um mero registro de campo, Rodrigo ficcionaliza com seu próprio corpo e gesto, assumindo mimeses com o ambiente ou mesmo simbolicamente remontando tempos mais distantes do que a própria existência humana - assim como o fez na França - reatando nossa origem (e fim) mineral e fazendo nos perceber como poeira no percurso do planeta.


Ficha técnica

impressão Fine Art
20 x 30 cm
edição 1:5
2019


Sobre o artista

Rodrigo Braga

Nascido em Manaus em 1976, logo mudou-se para Recife, onde graduou-se em Artes Plásticas pela UFPE 92002). Atualmente vive no Rio de Janeiro. Expõe com regularidade desde 1999, em 2012 participou da 30a Bienal de São Paulo e em 2016 realizou individual no Palais de Tokyo, Paris. Em 2009 recebe o prêmio Marcantonio Vilaça – Funarte/ MinC; em 2010; em 2010 o prêmio Marc Ferrez de fotografia, em 2012 o Prêmio Pipa/MAM-RJ Voto popular e em 2013 o prêmio MASP Talento Emergente. Possui obras em acervos particulares e institucionais no Brasil e no exterior, como MAM-SP e Maison Européene de La Photographie – Paris.


ANITA SCHWARTZ GALERIA

Rio de Janeiro / RJ

Anita Schwartz participa ativamente do cenário artístico brasileiro há 25 anos Após dirigir três importantes galerias, inaugurou em 1998 a galeria de arte contemporânea que leva seu nome, na cidade do Rio de Janeiro. Em 2008, a galeria foi transferida para um novo espaço com aproximadamente 700 m² de área distribuídos em três andares. No térreo está o salão principal, com 140 m² e pé direito de 6,8 m, planejado para receber mostras de grandes proporções. No segundo andar, uma sala de exposições de 96 m² e um terraço com um container destinado a vídeo-instalações, que comporta 20 espectadores.


Outras obras do artista