Sobre a obra

sem titulo


Ficha técnica

50X50cm
2010
acrilica sobre recortes de tela e costura


Sobre o artista

Roberto Mícoli

A obras de RM são conhecidas por uma estilização elegante ao extremo. Contêm uma mística única, e grande influência de arte tribal. Tem aspectos de arte têxtil e plumária, e influências da Bolívia, Peru, Nepal e Índia. Concretismo, Zen budismo e artesania. Ele é como um arqueólogo e antropólogo, que usa suas descobertas como aprendizado. Aborda esses temas por 4 décadas, com inteligência, talento, versatilidade, e grande sedução formal. A carreira adulta de Robert Mícoli começa com a exposição agora histórica: “Como vai você, Geração 80?”, no Parque Lage, no Rio de Janeiro, em 1984. Que lançou toda uma belíssima geração de artistas dessa famigerada década. Antes, já havia exposto em salões de arte, e galerias (Campinas). E sua obra inicial, realizada em papel quadriculado, de desenho técnico, era um suporte, cuja banalidade o interessava. Ainda muito rapaz, teve grande influência da obra, e da personalidade de Leonilson, seu vizinho e amigo, na Vila Mariana, onde moravam. Outras influências foram o grafite de Allex Vallauris, o universo formal de Jorge Guinle, e a obra da pintora norte-americana Helen Frankenthaler, cujo exposição no MASP, circa 1980, de grandes telas abstratas líricas, mas gráficas ao mesmo tempo, marcou época, e influenciou um certo grupo de artistas, e seguidores, na época. Expõe em 1984, num espaço alternativo, famoso então, chamado Kaos Brasilis, meses antes do grupo de paulistas ‘Casa 7’, que também se revelaram excelentes artistas. O começo dos anos 80 foi a época da Transvanguarda italiana, do retorno à pintura, de grandes telas, e grandes pintores. Roberto participou de uma exposição minha, uma coletiva, com o que considerava os ‘10 Best’ dessa geração 80 paulistana, até 1987. A Exposição “1981/87”, na Galeria Arco, de Bruno Musatti, tinha poucos e ótimos artistas, como Leonilson, Jac Leirner, Guto Lacaz, Nuno Ramos, Leda Catunda, Flavia Ribeiro, Angelo Venosa, Fabio Cardoso, Daniel Senise, e Paulo Pasta. Aliás, este seria o artista cuja trajetória eu veria como mais próxima de RM, pela seriedade, intelectualidade, e consistência, na elaboração da obra. Participa também da 18ª Bienal de SP, com a famosa curadoria de Sheila Leirner, que incluía uma “Grande Tela”, um corredor forrado continuamente de telas de pintores notáveis do momento, e com semelhanças pictóricas, colocadas lado à lado. Entre o expressionismo místico/cromático de Mark Rothko, e o construtivismo de Mira Schendel, cujo minimalismo gráfico e estratégia genial, muito o influenciou, Roberto é em muitos aspectos, um artista único, cujo perfil sério, intelectual, avesso ao fútil, nunca fez dele um sucesso social, até se confessa um inepto social, mas com enorme admiração de seus colecionadores, muitos e bons. Beleza, comércio, e sucesso, são grandes temas da atualidade nas artes plásticas. Uma agenda positiva. Mas houve um tempo, mais intelectual que o nosso, onde inteligência e beleza, eram vistas como qualidades excludentes. Não mais. Acredito muito no ditado: Não revele seu estilo a ninguém, nem a si mesmo. Você não quer ser copiado, e muito menos, se auto plagiar. Roberto é exatamente assim, e esta é uma de suas melhores qualidades, ele se reinventa constantemente no seu próprio fazer. Sua trajetória é um longo processo evolutivo. Obras suas recentes, são livros dissecados, que tem suas páginas arrancadas, pintadas, rearranjadas, coladas, e costuradas, recriando assim outro objeto, maior, melhor, mais bonito, e principalmente, com outra, e agora nova, leitura. Sua vida e obra são uma coisa só, um Zen caminho, onde, além das armadilhas da sedução formal, variações na sua obra, com diferentes suportes, são criados para possibilitar a permanência do mesmo conceito. É uma exposição propositalmente inusitada, imprevista, fora da curva na sua carreira, mas nem por isso, ou talvez exatamente por esse motivo, mais interessante, criativa, menos óbvia, e com sua marca registrada, uma inteligência permanente, e grande sedução formal. João Pedrosa Curador


GALERIA MAPA

São Paulo / SP

Desde de 2015, a Galeria Mapa atua com artistas brasileiros das décadas de 1950 a 1980. Diretamente no mercado primário, quando o artista ainda é vivo ou através do espólio de herdeiros. Nossas exibições são direcionadas pelo processo de pesquisa em torno de acervos particulares e cuja prática, moldada pelas curadorias colaborativas, tem como intuito incitar o resgate histórico. Since 2015, MaPa Gallery has focused on rediscovering influential Brazilian artists from the 1950s to the 1980s. Always directly in primary art market, when the artist is still alive, or in the estate of the heirs. His exhibits investigate private collections, with curators that have caught the attention of the public and the media.


Outras obras do artista