Sobre a obra

Limalha

Em Limalha, Zé de Rocha retoma o imaginário presente na Guerra de Espadas de Fogo, matéria que investiga desde 2011. Manifestação cultural que ocorre durante os festejos juninos no recôncavo e em outras regiões baianas, principalmente em Cruz das Almas, cidade natal do artista, este folguedo centenário proporciona anualmente a experiência coletiva do embate físico com o risco, e foi na paisagem de fogo, ferrugem e poeira que ele buscou as referências para seu desenho.

Com um interesse que gravita em torno dos efeitos causados pela luz do material incandescente expelido pelas Espadas de Fogo, em contraste com a escuridão, Zé trabalhou apenas com carvão, entre traços e manchas. Os trabalhos também fazem referência a outras linguagens das artes, como a fotografia, a performance e a narrativa gráfica, mas o discurso central está sintetizado mesmo no risco em sua multiplicidade, como fator inerente à própria constituição do ser humano, seja como traço ou linha, obedecida e desobedecida no jogo com a vida, perigo iminente ou ameaça, apagamento, desenho de luz e escuridão.


Ficha técnica

Carvão sobre papel, 150x100cm, 2018
sem moldura


Sobre o artista

Zé de Rocha

Zé de Rocha (Cruz das Almas, 1979) é um artista visual e músico brasileiro. Sua pesquisa parte da polissemia da palavra risco - usada para designar um desenho simples em uma superfície e também a possibilidade de estar em perigo - para criar trabalhos gráficos, principalmente desenhos à carvão e grafite, que exploram situações de perigo e violência. Premiado em diversos salões regionais no Brasil, incluindo a IX Bienal do Recôncavo, seu currículo conta ainda com participações em importantes mostras nacionais como a III Bienal da Bahia, o 64º Salão de Abril e Arte Pará 2016, além de projetos internacionais em galerias e feiras de arte na Itália, Estados Unidos, Portugal e França.


RV CULTURA E ARTE

Salvador / BA

Galeria de arte contemporânea com foco curatorial nas artes gráficas (desenhos, pinturas, colagens e processos de impressão) e artistas brasileiros emergentes. Aberta em 2008 pelos sócios Larissa Martina e Ilan Iglesias, a RV Cultura e Arte apresenta um programa anual diverso oferecendo pelo menos quatro exposições juntamente com oficinas, conversas, visitas guiadas e exibições que estimulam um relacionamento mais próximo com a comunidade local, colecionadores e outros agentes das artes visuais. Desde 2011 a RV Cultura e Arte também desenvolve projetos editoriais como livros de artista e novelas gráficas (histórias em quadrinhos), além de projetos de formação de artistas e público, a exemplo da Incubadora de Publicações Gráficas.


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