Sobre a obra

Série Ladja - [ilha-terreiro]

A partir do aprendizado de oito meses da Ladja – uma dança de combate embalada pelo canto e o toque do tambor, ato de afirmação cultural nascido nas encruzilhadas da diáspora africana na Martinica – este trabalho mergulha no universo do colonialismo. Uma travessia que parte de suas rotas mais perversas, para navegar nos gestos de resistência corporais, artísticos e literários, até emergir nos atravessamentos das fronteiras físicas e culturais de suas expressões na contemporaneidade. Esta pesquisa ancora-se na busca pelo principal fundamento desta luta, ou wè`y ou pa wè`y, expressão em crioulo que significa vê mas não vê e se refere à capacidade ilusionista dos golpes deste combate, que impossibilita a percepção visual do oponente diante do ataque, transformando o visível em invisível através do corpo.
Um dos caminhos para se chegar a este fundamento é o equilíbrio/desequilíbrio, ékilib/dézékilib em crioulo, trata-se de uma estratégia utilizada pelos lutadores para enganar o adversário através da simulação de desequilíbrio. Fundamento e caminho que também se apresentam como metáforas do que deve ser mostrado ou ocultado para se manter o prumo da existência em sociedades desequilibradas pela escravidão. É da memória ancorada no corpo, do sobrevoo simbólico desta busca e das vibrações emanadas no corpo, no verbo, no ritmo, na imagem e na matéria, que nascem as proposições artísticas deste trabalho.


Ficha técnica

Impressão em papel algodão Hahnemühle PhotoRag 315g - Tiragem 7 + 2 PA (cada)


Sobre o artista

Edu Monteiro

Seu trabalho transita pela fotografia, performance, escultura e videoinstalação. Atravessamentos perceptíveis em suas obras mais recentes, nas quais, Edu apresenta o universo mágico das danças de combate africanas e da diáspora. Interesse despertado pela prática da capoeira e solidificado em suas viagens de pesquisa para a África e o Caribe durante seu doutorado em artes pela Uerj. É da memória ancorada no corpo, do sobrevoo simbólico de suas buscas, da alteridade, da resistência, das vibrações emanadas no corpo, no verbo, no ritmo, na imagem e na matéria que nascem suas proposições artísticas.


MOVIMENTO ARTE CONTEMPORÂNEA

Rio de Janeiro / RJ

Sob direção de Ricardo Kimaid Junior, a galeria Movimento apresenta-se como um espaço destinado a partilhar o processo criativo de artistas emergentes, assim como daqueles já consagrados. Possui espaço de 140 m² e um acervo criado a partir do cruzamento de diferentes gerações, prezando pela qualidade das linguagens e pela diversidade de novas perspectivas estéticas. Fundada em 2007, realiza anualmente exposições com o objetivo de lançar, junto a um criterioso apoio de curadores, novas perspectivas críticas sobre a produção contemporânea. Em 2014, como parte do processo de democratização da arte, lançou o Programa Múltiplos gerando acesso à trabalhos por novos públicos e incentivando o colecionismo através do lançamento de gravuras e objetos seriados.


Outras obras do artista