Sobre a obra

Templo

TEMPLO é uma suposição baseada no cruzamento de contextos. Nessa suposição utópica, a experiência mística seria subvertida e inventada pelos gêneros musicais mais populares na Bahia do começo do século XXI, o pagode e o arrocha.

A música inquieta e maliciosa se equilibra na simetria e sincronia gerando um correspondente de beleza onde corpo e dança são meio de aproximação da espiritualidade. Coletividade e êxtase. Alteração do repouso. A felicidade e a prosperidade viabilizada pela veiculação da imagem dançando pra uma potencial audiência da web. Projeção. A coreografia desenha a arquitetura por onde a consciência se abriga e ascende.

Parte de uma tendência cultural global, dançarinos de pagode postam vídeos de suas coreografias na internet. Esses são os personagens que dão forma a série de desenhos, fotos e áudios derivados da imersão nesse universo.

Então, vivemos essa dicotomia aqui: a música sincopada, energética, remete a fisicalidade, o som que move o corpo por dentro, a ação, a política, o outro, a vida em sociedade… mas a inviabilidade da vida fora dos eixos econômicos se sublima pelo êxtase e o desejo. O som distante, tocando alto na vizinhança se dissipa, rebate e chega como um fantasma.

Um grupo de rap baiano cruza na letra uma frase de Nietzsche, “quem perde pede clemência ou revanche. Não acredito num deus que não dance”.


Ficha técnica

Técnica: acrílica e marcador sobre tela
Ano de produção: 2018
Foto: Wendell Wagner


Sobre o artista

Pedro Marighella

Artista visual de vocabulário múltiplo Pedro Marighella tem como principais interesses em sua produção o olhar sobre processos culturais, sociais e históricos (o lugar e o tempo), com destaque para o potencial crítico da diversão. Essa busca é sintetizada através de ilustrações, áudios e textos curtos que revelam aspectos de estranheza intrínsecos a esses temas e o resultado de seus trabalhos é um lugar de trânsito através de analogias obscuras e posicionamento crítico.

Entre suas atuações de destaque estão um projeto comissionado da 3ª Bienal da Bahia, participação nas mostras A Nova Mão Afro-Brasileira (Museu Afro Brasil) e Axé Bahia (Fawler Museum), e os prêmios pela 10ª Bienal do Recôncavo e Nam June Paik Award junto ao coletivo GIA do qual fez parte de 2003 a 2010.

Sobre seu trabalho, a curadora e pesquisadora Matilde Matos, em seu livro "50 anos de Arte na Bahia – 2ª edição ampliada" escreveu: "possuidor de um desenho primoroso, Pedro Marighella constrói, muitas vezes, suas obras representando multidões. O detalhamento e o movimento das figuras representadas, simplesmente com traço azul sobre o fundo branco, que descrevem confusões e brigas, se opõem à leveza do traço que lembra a composição de cores dos azulejos portugueses. Sua pesquisa foi feita em eventos de grandes aglomerações humanas, como o Carnaval e as festas populares da Bahia, quando saía tirando fotografias com uma câmera disfarçada em uma lata de cerveja. Marighella é um artista que consegue, sem se utilizar de estereótipos, um trabalho com inspiração regional sem perder a dimensão universal de sua arte".


RV CULTURA E ARTE

Salvador / BA

Galeria de arte contemporânea com foco curatorial nas artes gráficas (desenhos, pinturas, colagens e processos de impressão) e artistas brasileiros emergentes. Aberta em 2008 pelos sócios Larissa Martina e Ilan Iglesias, a RV Cultura e Arte apresenta um programa anual diverso oferecendo pelo menos quatro exposições juntamente com oficinas, conversas, visitas guiadas e exibições que estimulam um relacionamento mais próximo com a comunidade local, colecionadores e outros agentes das artes visuais. Desde 2011 a RV Cultura e Arte também desenvolve projetos editoriais como livros de artista e novelas gráficas (histórias em quadrinhos), além de projetos de formação de artistas e público, a exemplo da Incubadora de Publicações Gráficas.


Outras obras do artista