QUADRA

Buracos, crateras e abraços (dedicada a todos os amigos que não gostam de falar sempre)

Chamar por espaços através de gestos que ainda não tem forma é tornar tangível a matéria que se faz necessária quando o real parece estremecer. Nesse sentido, abstrair é agir desde um mundo a favor do que pede passagem e por isso urge pela criação de um lugar que ainda não há precedentes. No horizonte dessas maneiras encontramos a nós mesmas, corpos não totalmente mapeados que sustentam nas passagens, na recusa de um sentido prévio e na retirada do protagonismo das palavras as possibilidades de dizer a partir da recomposição. É por buracos, crateras e abraços - lugares sensíveis e dedicados a todos seus pares que não gostam de falar sempre - que Ana Cláudia Almeida articula o primeiro recorte de trabalhos, frutos de sua pesquisa em andamento desde 2019, apresentados em sua exposição individual na galeria Quadra. Ao utilizar procedimentos aparentemente incompossíveis ao campo pictórico como: sorrir, dançar, traçar rotas sem nome, trocar olhares… a artista escolhe se deslocar em direção ao seu desejo de espaço. Topologias visuais, e não menos políticas, arranjadas entre a pintura expandida e o desenho que funcionam tanto como chamamentos como rastros do seu movimento. Entre 22 de maio e 02 de julho a exposição que conta com curadoria de Tarcísio Almeida segue aberta para visitação.