Sobre a obra

DOPS (Série Movimentos Religiosos)

Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) foi o órgão do governo brasileiro utilizado principalmente durante o Regime Militar (1964-1985) cujo objetivo era controlar e reprimir movimentos políticos e sociais contrários ao regime no poder. As fotografias e textos que foram utilizados no trabalho fazem parte de documentos oficiais do relatório de agente do DOPS sobre o “Concílio de Jovens”, evento organizado por movimentos sociais, igreja católica e alvo da repressão política principalmente pela ligação ideológica de alguns padres com a Teologia de Libertação.

As fotografias e textos ficam justapostos e soltos sobre canaletas de madeira criando relações de referencialidade entre imagem e texto, dessa forma o trabalho propõe um jogo que se estrutura através da desestabilização entre a tipologia da imagem e texto.

O público é convidado a manipular e intervir no trabalho encontrando novas relações entre as imagens fotográficas e as descrições textuais. As combinações realizadas se estruturam como curto circuito, fissuras e ativações mostrando assim possíveis aleatoriedades, abusos, paranoias e desejos nas escolhas realizadas pelo agente do DOPS e como o arquivo pode criar novos agenciamentos a partir da manipulação.

O trabalho cria vínculos com a atualidade através da forma como algumas organizações sociais são perseguidas e criminalizadas pelo Estado.


Ficha técnica

Impressão UV sobre compensado e canaleta de madeira.
Edição 1/3.
2016.


Sobre o artista

Rafael Pagatini

Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, 1985 Vive e trabalha em Vitória, Espírito Santo Artista plástico, bacharel em artes visuais e mestre em poéticas visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Sua produção contempla principalmente pesquisas utilizando as linguagens da gravura, fotografia e desenho, articulando relações com as ideias de deslocamento, fixação, apagamentos e memória. Rafael Pagatini participa com exemplares da série Conversas com a paisagem que, a partir de pesquisas e viagens pelas cinco regiões brasileiras e por meio de técnica que aproxima e funde fotografia e xilogravura, retrata a geografia do país, como um convite ao conhecimento que passa pelo viajar, pela vivência de diferentes ares, culturas e modos de pensar, ampliando horizontes. Esses trabalhos apresentam estradas soturnas pelas quais o artista transitou e coletou madeiras encontradas ao longo das jornadas e nas quais gravou imagens de seus deslocamentos. Os títulos dos trabalhos são decorrentes de anotações e diálogos com pessoas que o artista encontrou ao longo das viagens e que foram reunidos na publicação Conversas com a paisagem. Sua produção recente se caracteriza pela crítica da sociedade contemporânea, através da investigação das relações entre arte, memória e política. Pagatini é professor e pesquisador da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).


OÁ GALERIA

Vitória / ES

Inaugurada em abril de 2007 a OÁ Galeria – Arte Contemporânea tem como objetivo participar na construção de um olhar sensível para a arte contemporânea, apresentando-a em suas diferentes linguagens e suportes, bem como acompanhando o desenvolvimento de jovens artistas contemporâneos e também de artistas com carreira já consolidada no mercado de arte nacional e internacional.


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